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D18 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão - 3º EM

Atualizado: 10 de ago.

 

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Hoje, vamos mergulhar em um aspecto crucial da interpretação textual: o efeito de sentido decorrente da escolha de palavras e expressões (D18). Dominar essa habilidade é essencial não só para o sucesso nas avaliações, mas também para a compreensão profunda do mundo que nos cerca.

 

A Precisão da Linguagem: Mais que Sinônimos

Muitas vezes, aprendemos que sinônimos são palavras com significados iguais. No entanto, na prática, a substituição de um termo por outro, mesmo que sinônimo, quase sempre acarreta alguma alteração no sentido do texto. Isso ocorre porque as palavras carregam consigo, além do seu significado denotativo (literal), uma série de conotações, nuances e valores culturais que influenciam a interpretação.

 

Vamos a um exemplo prático: comparem as seguintes frases:

1.  O criminoso foi detido pela polícia.

2.  O bandido foi preso pela polícia.

3.  O meliante foi capturado pela polícia.

 

Embora as três frases descrevam a mesma ação (a prisão de alguém pela polícia), as palavras "criminoso", "bandido" e "meliante" evocam diferentes imagens e sentimentos. "Criminoso" é um termo mais técnico e neutro, referindo-se a alguém que cometeu um crime. "Bandido" carrega uma conotação mais pejorativa, sugerindo alguém perigoso e marginalizado. Já "meliante" tem um tom mais arcaico e até mesmo irônico em alguns contextos, podendo soar como uma minimização da gravidade do delito.

 

Conotação e Contexto: A Chave da Interpretação

A conotação de uma palavra não é fixa, mas sim dependente do contexto em que é utilizada. Uma mesma palavra pode ter diferentes efeitos de sentido dependendo do texto e da intenção do autor. Observem:

 

  • Formalidade: Em um texto científico, a preferência será por termos denotativos e precisos, evitando ambiguidades. Já em um poema, a liberdade conotativa é maior, permitindo múltiplas interpretações.

  • Intenção do autor: O autor pode escolher uma palavra específica para enfatizar uma ideia, gerar um determinado sentimento no leitor (como raiva, compaixão ou humor) ou mesmo expressar sua própria opinião sobre o assunto.

  • Público-alvo: A escolha das palavras também leva em conta o público a que se destina o texto. Um texto para crianças usará uma linguagem mais simples e direta do que um texto acadêmico.

 

Explorando os Efeitos de Sentido

Diversos recursos linguísticos podem ser utilizados para criar efeitos de sentido, entre eles:

 

  • Figuras de linguagem: Metáforas, comparações, ironias, hipérboles, entre outras, exploram a conotação das palavras para criar imagens vívidas e expressar ideias de forma mais impactante.

  • Eufemismos: São usados para suavizar expressões consideradas desagradáveis ou chocantes. Por exemplo, em vez de dizer "ele morreu", pode-se dizer "ele faleceu".

  • Gírias e regionalismos: Marcam a identidade de um grupo social ou região geográfica, conferindo informalidade e proximidade ao texto.

  • Arcaísmos e neologismos: O uso de palavras antigas ou novas, respectivamente, pode criar efeitos de estranhamento, modernidade ou humor.

 

Análise Prática: Decifrando as Entrelinhas

Para ilustrar a importância da análise dos efeitos de sentido, vamos examinar um trecho de um texto hipotético:

"A multidão invadiu a praça, sedenta por justiça. Os manifestantes, enfurecidos, clamavam por mudanças. A polícia, atenta, observava cada movimento."

 

Observem as palavras destacadas: "invadiu", "enfurecidos" e "atenta".

  • "Invadiu" sugere uma ação violenta e desordenada, transmitindo uma imagem negativa da multidão. Se o autor tivesse usado "ocupou" ou "tomou", o efeito seria diferente, indicando uma ação mais pacífica.

  • "Enfurecidos" intensifica a emoção dos manifestantes, transmitindo uma sensação de raiva e indignação. Outras palavras, como "insatisfeitos" ou "mobilizados", teriam um efeito mais ameno.

  • "Atenta" descreve a postura da polícia, sugerindo vigilância e prontidão. Se o autor tivesse usado "apreensiva" ou "hostil", o efeito seria diferente, transmitindo uma sensação de tensão ou ameaça.

 

A escolha de cada palavra em um texto é carregada de intenções e produz efeitos de sentido que influenciam diretamente a compreensão do leitor. Ao analisar um texto, não basta apenas entender o significado denotativo das palavras, é fundamental atentar para suas conotações, o contexto em que são usadas e a intenção do autor.

 

Dominar essa habilidade é essencial para uma leitura crítica e profunda, permitindo-nos desvendar as múltiplas camadas de significado presentes em qualquer texto. Lembrem-se: as palavras têm poder!

 

Fórum: Opinar, compartilhar e refletir

Objetivo: Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de palavras e expressões em diferentes contextos.

 

Contexto da Atividade:

Na aula D18, vimos que a escolha de uma palavra ou expressão pode alterar significativamente o efeito de sentido de um texto, influenciando a emoção, a intenção do autor e a interpretação do leitor. Neste fórum, vamos explorar essa ideia por meio de exemplos, opiniões e reflexões.

 

Texto base para reflexão (leia com atenção):

Trecho 1:

"Aquela criança parecia muito feliz ao brincar no parque, seu sorriso iluminava o ambiente."

Trecho 2:

"Aquela criança aparentava uma felicidade quase exagerada ao brincar no parque, seu sorriso parecia forçado, quase desconcertante."

  

Questões para você opinar, compartilhar e refletir:

  1. Comparação de efeitos: Quais são os efeitos de sentido diferentes criados por esses dois trechos? Como a escolha de palavras como “muito feliz” e “felicidade quase exagerada” altera a percepção do leitor sobre a criança?

  2. Palavras e intenções do autor: Em que situações você acha que um autor escolheria palavras mais neutras ou mais carregadas de emoção? Dê exemplos, se possível, de textos literários, notícias, propagandas ou até conversas do cotidiano.

  3. Palavras que mudam o tom: Você já percebeu como a troca de uma palavra pode mudar o tom de uma frase? Por exemplo, qual a diferença entre chamar alguém de “persistente” e “teimoso”? Explique com suas próprias palavras.

  4. Impacto na comunicação: Como a escolha das palavras pode influenciar uma comunicação em situações reais, como debates, discursos, publicidade ou mesmo nas redes sociais? Conte alguma experiência pessoal ou alguma notícia que tenha visto.

  5. Palavras e contexto cultural: Você acha que a escolha de palavras pode ter efeitos diferentes conforme o contexto cultural, social ou regional? Explique e, se possível, dê exemplos.

  6. Expressões idiomáticas e efeito de sentido: Expressões como “bater na mesma tecla” ou “pagar o pato” carregam sentidos que vão além do literal. Como essas expressões influenciam a compreensão do texto? Você conhece outras expressões que mudam o sentido da mensagem?

  7. Exercício prático: Escolha uma frase simples e reescreva-a usando palavras diferentes que mudem o efeito de sentido (por exemplo, de positivo para negativo, formal para informal, sério para irônico). Compartilhe aqui sua frase original e a nova versão, explicando as diferenças.

 

Como participar:

  • Poste suas respostas nas questões acima no fórum, desenvolvendo suas ideias com exemplos e argumentos.

  • Leia as respostas dos colegas e faça comentários que ajudem a aprofundar a discussão.

  • Seja respeitoso(a) e aberto(a) a diferentes opiniões.

 

Critérios de avaliação:

  • Clareza e profundidade nas respostas às questões propostas.

  • Participação em pelo menos três postagens, sendo uma delas um comentário construtivo em resposta a outro colega.

  • Demonstração de compreensão do efeito de sentido decorrente da escolha vocabular.

PRATIQUE!

 

A Crise Hídrica e a Retórica da Seca

A persistente escassez de chuvas no sertão nordestino tem gerado debates acalorados sobre as responsabilidades e soluções para a crise hídrica. A mídia, ao noticiar o fenômeno, utiliza diferentes termos para descrever a situação, o que influencia a percepção pública sobre a gravidade do problema.

Alguns veículos de comunicação preferem o termo "seca", uma palavra carregada de história e sofrimento, que evoca imagens de terra rachada, animais mortos e famílias famintas. A escolha desse vocábulo remete a um imaginário coletivo marcado por tragédias e desigualdades sociais. Outros, buscando uma abordagem mais técnica, optam por "estiagem prolongada" ou "déficit hídrico", expressões que enfatizam a dimensão científica do problema, mas que podem soar distantes da realidade da população afetada.

 utilização do termo "crise hídrica", por sua vez, carrega uma conotação de urgência e necessidade de ação imediata. Essa expressão sugere que a situação ultrapassou os limites da normalidade e exige medidas emergenciais para evitar um colapso. A escolha desse termo pode ser interpretada como uma forma de pressionar as autoridades a tomarem providências.

A forma como os políticos se referem à situação também revela diferentes intenções. Alguns, buscando minimizar o problema, falam em "período de baixa pluviosidade" ou "variação climática", buscando atenuar a gravidade da situação. Outros, com o objetivo de angariar recursos ou justificar ações controversas, enfatizam o caráter "catastrófico" da seca, utilizando uma linguagem alarmista.

É crucial, portanto, analisar criticamente a linguagem utilizada para descrever a crise hídrica. A escolha das palavras não é neutra e influencia a forma como o público compreende o problema. Compreender os efeitos de sentido decorrentes dessas escolhas é fundamental para formar uma opinião informada e cobrar soluções eficazes.

 

Questão 1. No texto, a utilização do termo "seca" evoca principalmente:

A) Uma análise técnica do fenômeno climático.

B) A dimensão científica da crise hídrica.

C) Um imaginário coletivo marcado por tragédias e desigualdades.

D) A necessidade de ações governamentais emergenciais.

E) Uma minimização da gravidade da situação.

 

Questão 2. A expressão "estiagem prolongada" tem como efeito de sentido:

A) Minimizar a gravidade da situação, utilizando uma linguagem técnica.

B) Enfatizar o sofrimento da população afetada pela seca.

C) Pressionar as autoridades a tomarem providências urgentes.

D) Evocar um imaginário coletivo de tragédias e desigualdades.

E) Descrever a situação de forma alarmista.

 

Questão 3. A expressão "crise hídrica" sugere:

A) Um período de baixa pluviosidade. B) Uma variação climática natural.

C) Uma situação que exige medidas emergenciais.

D) Uma descrição técnica e neutra do problema.

E) Uma minimização da gravidade da seca.

 

Questão 4. A intenção de alguns políticos ao utilizarem expressões como "período de baixa pluviosidade" é:

A) Enfatizar o caráter catastrófico da seca.

B) Minimizar a gravidade da situação.

C) Pressionar as autoridades a tomarem providências.

D) Descrever a situação de forma técnica e precisa.

E) Evocar um imaginário de sofrimento e desigualdade.

 

Questão 5. A análise crítica da linguagem utilizada para descrever a crise hídrica é importante porque:

A) As palavras são neutras e não influenciam a compreensão do público.

B) Apenas os termos técnicos são relevantes para a compreensão do problema.

C) A escolha das palavras influencia a forma como o público entende a situação.

D) Apenas a intenção dos políticos é relevante na escolha das palavras.

E) Apenas a descrição científica do fenômeno é importante.

 

(SAEMS). Leia o texto abaixo. 

 

As formigas

Foi a coisa mais bacana a primeira vez que as formigas conversaram com ele. Foi a que escapuliu de procissão que conversou: ele estava olhando para ver aonde que ela ia, e aí ela falou para ele não contar para o padre que ela tinha escapulido – o padre ele já tinha visto que era o formigão da frente, o maior de todos, andando posudo.

Isso aconteceu numa manhã de muita chuva em que ele ficara no quentinho das cobertas com preguiça de se levantar, virado para o outro canto, observando as formigas descendo em fila na parede. Tinha um rachado ali perto por causa da chuva, era de lá que elas saíam, a casa delas.

Toda manhã aquela chuva sem parar, pingando na lata velha lá fora no jardim, barulhinho gostoso que ele ficava ouvindo, enrolado no cobertor, olhando as formigas e conversando com elas, o quarto meio escuro, tudo escuro de chuva.

A conversa ficava interessante quando ele lembrava de perguntar uma porção de coisas e elas também perguntavam pra ele. (Conversavam baixinho para os outros não escutarem.)  [...]

Uma tarde entrou no quarto e viu a mancha de cimento novo na parede, brutal, incompreensível.

– Pra que que o senhor fez isso? Pra que o senhor fez assim com minhas formigas?

O pai não entendia, e o menino chorando, chorando.

VILELA, Luiz. Contos da infância e da adolescência. 2. ed. São Paulo: Ática, 2002. Fragmento. 

 

Questão 6. Nesse texto, a repetição “... chorando, chorando.”, (ℓ. 17) sugere

A) atitude fingida.

B) anúncio de rebeldia.

C) progressão da tristeza.

D) sensação de culpa.

E) sinal de fraqueza.

 

(SAEMS). Leia o texto abaixo.

 

Vinícius de Moraes

“Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas. Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto.” 

Disponível em: <http://www.aomestre.com.br/liv/autores/vinicius_moraes.htm>.

 

Questão 7. Nesse texto, a expressão “... cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto.” sugere que Vinícius

A) destacou-se no cenário musical e poético.

B) abandonou a música e se dedicou à poesia.

C) foi criado com a avó, que declamava belas poesias.

D) foi uma criança famosa, pois cantou antes de falar.

E) pensou em trabalhar com poesias, mas preferiu se dedicar à música.

 

(3ª P.D – SEDUC-GO). Leia o texto abaixo e responda. 



Disponível em: <http://multirinhas.blogspot.com/2009/06/hagar

 

Questão 8. O destaque dado à palavra “formal”, associado à expressão facial de Helga, sugere

A) histeria.

B) julgamento.

C) ódio.

D) reprovação.

E) sofrimento.

 

(3ª P.D – SEDUC-GO). Leia o texto abaixo e responda.

 

A melhor amiga do homem

Diogo Schelp

Devemos muito à vaca. Mas há quem a veja como inimiga. A vaca, aqui referida como a parte pelo todo bovino, é acusada de contribuir para a degradação do ambiente e para o aquecimento global. Cientistas atribuem ao 1,4 bilhão de cabeças de gado existentes no mundo quase metade das emissões de metano, um dos gases causadores do efeito estufa. Acusam-se as chifrudas de beber água demais e ocupar um espaço precioso para a agricultura.

O truísmo inconveniente é que homem e vaca são unha e carne. [...] Imaginar o mundo sem vacas é como desejar um planeta livre dos homens – uma ideia, aliás, vista com simpatia por ambientalistas menos esperançosos quanto à nossa espécie. “Alterar radicalmente o papel dos bovinos no nosso cotidiano, subtraindo-lhes a importância econômica, pode levá-los à extinção e colocar em jogo um recurso que está na base da construção da humanidade e, por que não, de seu futuro”, diz o veterinário José Fernando Garcia, da Universidade Estadual Paulista em Araçatuba. [...]

A vaca tem um papel econômico crucial até onde é considerada animal sagrado. Na Índia, metade da energia doméstica vem da queima de esterco. O líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), que, como todo hindu, não comia carne bovina, escreveu: “A mãe vaca, depois de morta, é tão útil quanto viva”. Nos Estados Unidos, as bases da superpotência foram estabelecidas quando a conquista do Oeste foi dada por encerrada, em 1890, fazendo surgir nas Grandes Planícies americanas o maior rebanho bovino do mundo de então. “Esse estoque permitiu que a carne se tornasse, no século seguinte, uma fonte de proteína para as massas, principalmente na forma de hambúrguer”, escreveu Florian Werner. [...] Comer um bom bife é uma aspiração natural e cultural. Ou seja, nem que a vaca tussa a humanidade deixará de ser onívora.

Revista Veja. p. 90-91, 17 jun. 2009. Fragmento.

 

Questão 9. O autor usa a parte pelo todo para se referir à vaca em:

A) “Acusam-se as chifrudas...”.

B) “...homem e vaca são unha e carne”.

C) “...o papel dos bovinos...”.

D) “...animal sagrado.”.

E) “...nem que a vaca tussa...”.

  

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