Classes Gramaticais - Pronome

Pronome é uma classe de palavras variável cuja finalidade é substituir ou determinar (acompanhar) um substantivo. Eles se classificam em razão dessas funções. Aquele que substitui o nome é chamado de pronome substantivo, e o que o determina (acompanha) é o pronome adjetivo. Além disso, são subclassificados em pessoais do caso reto, pessoais oblíquos tônicos e átonos, de tratamento, relativos, possessivos, demonstrativos, indefinidos e interrogativos.

Pronomes do caso reto

Os pronomes pessoais do caso reto funcionam como sujeito do enunciado em que estão inseridos, isto é, executam ou sofrem a ação do enunciado. Lembrando-se dos pronomes do caso reto da tabela anterior, observe os seguintes exemplos:

Nós combinamos de ir ao parque. (Sujeito + verbo + complemento)
Eu estava muito empolgado. (Sujeito + verbo + complemento)

Note que os sujeitos dos dois enunciados são pronomes pessoais, pois referem-se às pessoas do discurso (nos dois casos, à 1ª pessoa), e são do caso reto, pois exercem função de sujeito nos respectivos enunciados. Veja outros exemplos agora:

As flores desabrocharam ontem. (Sujeito + verbo + complemento)
Meu irmão e a vizinha dele foram ao mercado juntos. (Sujeito + verbo + complemento)

Dessa vez, os sujeitos dos dois enunciados não são pronomes pessoais do caso reto, pois “flores”, “irmão” e “vizinha” são substantivos. No entanto, podemos substituir esses substantivos pelos respectivos pronomes do caso reto:

Elas desabrocharam ontem. Eles foram ao mercado juntos.

Pronomes do caso oblíquo

Os pronomes do caso oblíquo funcionam como complemento do enunciado. Em alguns casos, devem vir acompanhados de preposição para que o enunciado tenha sentido. Nesses casos, são chamados de pronomes oblíquos tônicos. Caso não precisem estar acompanhados de preposição, são chamados de pronomes oblíquos átonos. Vamos observar os exemplos de cada um deles:

Pronomes oblíquos tônicos

Esse livro foi dedicado a vós. (Sujeito + verbo + complemento)
Os alunos vieram até mim. (Sujeito + verbo + complemento)
Elas falaram muito bem de nós. (Sujeito + verbo + complemento)

Nesses casos, “vós”, “mim” e “nós” assumiram função de complemento e vieram acompanhados de preposição (“a”, “até” e “de”, respectivamente), portanto, são pronomes oblíquos tônicos.

Ela foi comigo ao mercado. (Sujeito + verbo + complemento)

No exemplo, temos dois pronomes pessoais: “Ela”, que é do caso reto por tratar-se do sujeito do enunciado, e “mim” (com + mim = comigo), que é do caso oblíquo por tratar-se do complemento. Como precisa da preposição “com”, é um pronome oblíquo tônico.


Vale ressaltar que a preposição “com” sempre se junta aos pronomes, formando uma palavra só:

com + mim = comigo com + ti = contigo com + si = consigo (singular ou plural) com + nós = conosco com + vós = convosco

Os pronomes do caso reto, oblíquos e de tratamento são as categorias dos pronomes pessoais.


Pronomes oblíquos átonos

A plateia me ouviu cantar. (Sujeito + complemento + verbo)
Muita gente veio nos prestigiar. (Sujeito + verbo + complemento + verbo)
Nós lhes damos boas-vindas. (Sujeito + complemento + verbo + complemento)

Nesses casos, “me”, “nos” e “lhes” assumiram função de complemento, porém não precisaram vir acompanhados de preposição. Por isso, são pronomes oblíquos átonos.


Vale lembrar que existem convenções a respeito da colocação do pronome oblíquo átono:

A próclise ocorre quando, antes do verbo, algumas palavras “atraem” o pronome oblíquo;
A ênclise ocorre quando o verbo inicia a oração ou está no gerúndio ou no imperativo afirmativo;
A mesóclise costuma ocorrer quando o verbo está conjugado no futuro (tanto do presente, quanto do pretérito), não havendo construção que justifique o uso da próclise ou da ênclise.

Pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento são formas de reverência que consistem em referirmo-nos às pessoas pelos seus atributos ou qualidades que ocupam. Por isso, eles são também chamados formas substantivas de tratamento ou formas pronominais de tratamento.

Assim, mesmo quando estamos falando com a pessoa (usando o discurso da 2ª pessoa), ao utilizarmos um pronome de tratamento, o verbo passa para a 3ª pessoa. O pronome “você”, por exemplo, não é um pronome pessoal, e sim um pronome de tratamento. Por isso, apesar de “você” referir-se à 2ª pessoa (“tu”, ou “vocês” para “vós”), os verbos são conjugados na 3ª pessoa. Observe o exemplo:

Tu já foste ao cinema ver esse filme? Você já foi ao cinema ver esse filme?

Os pronomes de tratamento podem ser usados tanto para dirigir-se à pessoa quanto para referir-se a ela, mas os verbos sempre estarão conjugados na 3ª pessoa. Observe:

Vossa Excelência já preparou o discurso para a cerimônia de posse? Vossa Santidade, o papa, deixará o Vaticano para reunir-se com grandes líderes hoje.

Pronome Possessivo

Estabelecem relação de posse entre um objeto e uma das três pessoas do discurso.

São eles:

meu(s), minha(s)
teu(s), tua(s)
seu(s), sua(s)
nosso(s), nossa(s)
vosso(s), vossa(s)
seu(s), sua(s)

Os pronomes possessivos concordam em gênero e número com a coisa possuída, e em pessoa com o possuidor.

(eu) Vendi minha moto. (tu) Releste tua prova? (nós) Compramos nosso carro.

Quando o pronome possessivo determina mais de um substantivo, ele deverá concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo.

Vou lavar minhas sandálias e tênis.

Pronomes demonstrativos

São pronomes que eram originalmente usados para posicionar espacialmente um objeto em relação às três pessoas do discurso, principalmente em relação a quem fala e a quem ouve. Também são usados para a marcação de tempo (passado, presente e futuro) e para o estabelecimento de referências anafóricas e catafóricas em um texto.

Pronomes demonstrativos variáveis:

1ª pessoa: este, esta, estes, estas – indicam um objeto sob posse da 1º pessoa; 2ª pessoa: esse, essa, esses, essas – indicam um objeto sob posse da 2º pessoa; 3ª pessoa: aquele, aquela, aqueles, aquelas – indicam um objeto sob posse de um 3º ou distante da 1º e da 2º pessoa.

Pronomes demonstrativos invariáveis: referem-se a coisas ou objetos de forma indefinida. Espacialmente, possuem a mesma utilização dos anteriores.

1ª pessoa: isto 2ª pessoa: isso 3ª pessoa: aquilo

Essa camisa é muito linda. Aquelas bicicletas são boas. Este casaco é muito caro. Eu perdi aqueles bilhetes de cinema.

Pronome relativo

​Pronome relativo é uma classe de pronomes que substituem um termo da oração anterior e estabelecem relação entre duas orações.

Não conhecemos o aluno. O aluno saiu.
Não conhecemos o aluno que saiu.

Como se pode perceber, o que, nessa frase está substituindo o termo aluno e está relacionando a segunda oração com a primeira.

Os pronomes relativos são os seguintes:

Variáveis

O qual, a qual; Os quais, as quais; Cujo, cuja; Cujos, cujas; Quanto, quanta; Quantos, quantas

Invariáveis

Que (quando equivale a o qual e flexões) Quem (quando equivale a o qual e flexões) Onde (quando equivale a no qual e flexões)

Pronome Indefinido Empregados na 3ª pessoa do discurso, o próprio nome já indica que os pronomes indefinidos substituem ou acompanham o substantivo de maneira vaga ou imprecisa.

Nenhum vestido serviu na Antônia.

(o termo “nenhum” acompanha o substantivo “vestido” de maneira vaga, pois não sabemos de que vestido se fala)

Outras viagens virão.

(o termo “outras” acompanha o substantivo “viagens” sem especificar quais viagens serão)

Alguém deve me explicar a matéria.

(o termo “alguém” significa “uma pessoa cuja identidade não é especificada ou definida” e, portanto, substitui o substantivo da frase)

Cada pessoa deve escolher seu caminho.

(o termo “cada” acompanha o substantivo da frase “pessoa” sem especificá-lo)

Variáveis:

​Qualquer/Quaisquer; Qual/Quais; Bastante/Bastantes; Um(ns)/Uma(s); Pouco(s)/Pouca(s); Nenhum(ns)/Nenhuma(s); Outro(s)/Outra(s); Todo(s)/Toda(s); Certo(s)/Certa(s); Muito(s)/Muita(s); Tanto(s)/Tanta(s); Algum(ns)/Alguma(s); Quanto(s)/Quanta(s)

Invariáveis:

​Alguém; Ninguém; Quem; Algo; Tudo; Nada; Cada; Mais; Menos; Demais; Outrem

Pronomes interrogativos

Pronomes interrogativos são aqueles empregados em orações interrogativas diretas ou indiretas. São eles:

que, quem, qual, quais, quanto, quanta, quantos, quantas.

Exemplos de orações interrogativas diretas:

“Que horas são?”
“Quem é você?”
“Qual seu nome?”
“Quanto custa o livro?”

Exemplos de orações interrogativas indiretas:

“Eu perguntei que horas são.”
“Ana quer saber quem é você.”
“O juiz questionou qual seu nome.”
“Pedro indagou quanto custava o livro.”

Que e quem não se flexionam. Já o pronome qual é variável em número, e o pronome quanto concorda em gênero com o termo a que se refere.

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