Aprendizagem Baseada em Problemas
- Nelson Junior

- 5 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 6 de jan.

Aprendizagem Baseada em Problemas é uma metodologia ativa em que o processo de ensino-aprendizagem se organiza a partir da resolução de problemas reais, contextualizados e complexos, próximos das situações enfrentadas no mundo acadêmico, profissional e social.
Nesse método, os alunos são organizados em grupos colaborativos e recebem um problema desafiador como ponto de partida. A partir dele, os estudantes levantam hipóteses, identificam o que já sabem, reconhecem lacunas de conhecimento e definem estratégias de investigação para chegar a possíveis soluções. Esse percurso envolve pesquisa, discussão, tomada de decisões e aplicação prática do conhecimento.
Uma característica central da PBL é a inversão da lógica tradicional de ensino. Em geral, não há uma aula expositiva inicial sobre o conteúdo. O aprendizado ocorre durante o enfrentamento do problema. Somente após as discussões em grupo e as tentativas de solução é que o professor realiza a sistematização conceitual, aprofundando teoricamente os conteúdos mobilizados no processo.
O papel do professor, nesse contexto, é o de mediador e facilitador da aprendizagem, orientando as investigações, provocando reflexões, garantindo o foco nos objetivos pedagógicos e promovendo conexões entre prática e teoria.
A Aprendizagem Baseada em Problemas contribui significativamente para o desenvolvimento de:
Pensamento crítico e analítico;
Autonomia intelectual;
Capacidade de investigação;
Resolução de problemas;
Trabalho em equipe e argumentação.
Assim, a PBL transforma o aluno em sujeito ativo do aprendizado, tornando o conhecimento mais significativo, funcional e duradouro, ao mesmo tempo em que aproxima o ensino das demandas reais da vida e da prática social.
Como avaliar na PBL?
1. Avaliação do processo de aprendizagem
Durante o desenvolvimento do problema, o professor acompanha e registra evidências relacionadas a:
Participação nas discussões do grupo;
Capacidade de compreender o problema apresentado;
Leitura e interpretação de textos utilizados na investigação;
Formulação de hipóteses e argumentos orais;
Uso adequado da linguagem oral (clareza, coerência, pertinência).
Instrumentos possíveis:
Roteiro de observação;
Diário de bordo do grupo ou individual;
Registro de intervenções orais significativas.
2. Avaliação das habilidades de leitura e interpretação
Os problemas propostos na PBL geralmente se baseiam em textos disparadores (notícia, artigo, conto, crônica, propaganda, relato, etc.). A avaliação pode verificar se o aluno consegue:
Localizar informações explícitas no texto;
Inferir sentidos implícitos (tema, intenção, ponto de vista);
Identificar relações de causa e consequência;
Reconhecer fatos e opiniões;
Analisar o uso de recursos linguísticos e discursivos.
Instrumentos possíveis:
Questões interpretativas abertas;
Anotações orientadas durante a leitura;
Discussão coletiva mediada.
3. Avaliação da produção oral e escrita
A resolução do problema pode culminar em uma produção linguística, que deve ser avaliada de forma criteriosa e contextualizada, considerando:
Adequação ao gênero textual proposto;
Coerência e coesão do texto;
Clareza das ideias e progressão temática;
Uso adequado de vocabulário, pontuação e normas da língua;
Capacidade de argumentação e justificativa das soluções apresentadas.
Produtos possíveis:
Texto argumentativo ou opinativo;
Relatório de investigação;
Carta, artigo de opinião, notícia ou manifesto;
Apresentação oral com apoio escrito.
4. Avaliação colaborativa e metacognitiva
A PBL valoriza a reflexão sobre o próprio aprender. Por isso, a avaliação pode incluir momentos em que o aluno:
Analisa sua participação no grupo;
Reflete sobre o que aprendeu e como aprendeu;
Identifica dificuldades e avanços linguísticos.
Instrumentos possíveis:
Autoavaliação escrita;
Avaliação entre pares;
Questionário reflexivo ao final do projeto.
5. Avaliação final e devolutiva pedagógica
Ao final do processo, o professor realiza a sistematização conceitual, retomando os conteúdos de Língua Portuguesa mobilizados (leitura, interpretação, gêneros textuais, recursos linguísticos, argumentação) e oferece uma devolutiva formativa, destacando:
Avanços individuais e coletivos;
Pontos a aprimorar;
Relação entre teoria e prática.
Situação Didática – Exemplo de Aplicação
Tema do problema
Desinformação e leitura crítica na escola
Problema disparador (situação-problema)
A direção da escola identificou que muitos alunos compartilham informações falsas (fake news) em grupos de WhatsApp e redes sociais, especialmente sobre temas sociais e de interesse juvenil. Isso tem gerado conflitos, interpretações equivocadas e decisões baseadas em informações não confiáveis. A equipe pedagógica solicitou ajuda aos alunos para responder à seguinte questão:
Como a escola pode orientar os estudantes a identificar informações confiáveis e interpretar textos de forma crítica antes de compartilhar conteúdos?Etapa 1 – Apresentação do problema (sem aula expositiva)
O professor apresenta aos alunos um texto disparador, como:
Uma notícia com título sensacionalista;
Um post de rede social com dados duvidosos;
Um pequeno artigo ou reportagem curta com mistura de fatos e opiniões.
Em grupos colaborativos, os alunos recebem apenas o problema e o texto, sem explicações teóricas prévias.
Orientações iniciais aos grupos
Os alunos devem discutir e registrar:
O que o texto informa explicitamente?
Que partes geram dúvida ou parecem exageradas?
O que já sabemos sobre esse tema?
O que precisamos investigar para responder ao problema?
Etapa 2 – Levantamento de hipóteses e lacunas de conhecimento
Cada grupo:
Formula hipóteses sobre a veracidade do texto;
Identifica lacunas de conhecimento (ex.: o que é fato, o que é opinião, quais fontes são confiáveis);
Define estratégias de investigação (leitura de outros textos, comparação de fontes, análise da linguagem utilizada).
O professor atua como mediador, questionando:
“Essa informação está comprovada no texto?”
“Que pistas linguísticas indicam opinião ou intenção?”
“Como o título influencia a leitura?”
Etapa 3 – Investigação e análise linguística
Os alunos analisam:
Relações de causa e consequência no texto;
Uso de adjetivos, modalizadores e termos avaliativos;
Diferença entre fato e opinião;
Intenção comunicativa do autor.
Podem ser disponibilizados outros textos para comparação, sem transformar o momento em aula expositiva.
Etapa 4 – Produção da solução (produto final)
Cada grupo elabora uma resposta ao problema, escolhendo um produto linguístico, por exemplo:
Texto argumentativo orientando outros alunos sobre como identificar fake news;
Carta aberta à comunidade escolar;
Manifesto ou guia prático de leitura crítica;
Apresentação oral com apoio escrito.
Etapa 5 – Socialização e discussão coletiva
Os grupos apresentam suas soluções.O professor promove o debate, incentivando:
Justificativa das ideias;
Argumentação oral;
Comparação entre as propostas.
Etapa 6 – Sistematização conceitual (momento do professor)
Somente após o percurso investigativo, o professor sistematiza os conteúdos de Língua Portuguesa mobilizados, como:
Estratégias de leitura e interpretação;
Tema, intenção e ponto de vista;
Fato x opinião;
Recursos linguísticos e discursivos;
Organização e argumentação textual.
Esse momento conecta prática e teoria, consolidando a aprendizagem.
Avaliação na PBL (aplicada à situação didática)
1. Avaliação do processo
Participação nas discussões;
Compreensão do problema;
Formulação de hipóteses;
Qualidade das intervenções orais.
Instrumentos: Roteiro de observação, diário de bordo, registros do professor.




Comentários