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Aprendizagem Baseada em Problemas

Atualizado: 6 de jan.


Aprendizagem Baseada em Problemas  é uma metodologia ativa em que o processo de ensino-aprendizagem se organiza a partir da resolução de problemas reais, contextualizados e complexos, próximos das situações enfrentadas no mundo acadêmico, profissional e social.

Nesse método, os alunos são organizados em grupos colaborativos e recebem um problema desafiador como ponto de partida. A partir dele, os estudantes levantam hipóteses, identificam o que já sabem, reconhecem lacunas de conhecimento e definem estratégias de investigação para chegar a possíveis soluções. Esse percurso envolve pesquisa, discussão, tomada de decisões e aplicação prática do conhecimento.


Uma característica central da PBL é a inversão da lógica tradicional de ensino. Em geral, não há uma aula expositiva inicial sobre o conteúdo. O aprendizado ocorre durante o enfrentamento do problema. Somente após as discussões em grupo e as tentativas de solução é que o professor realiza a sistematização conceitual, aprofundando teoricamente os conteúdos mobilizados no processo.

O papel do professor, nesse contexto, é o de mediador e facilitador da aprendizagem, orientando as investigações, provocando reflexões, garantindo o foco nos objetivos pedagógicos e promovendo conexões entre prática e teoria.


A Aprendizagem Baseada em Problemas contribui significativamente para o desenvolvimento de:

  • Pensamento crítico e analítico;

  • Autonomia intelectual;

  • Capacidade de investigação;

  • Resolução de problemas;

  • Trabalho em equipe e argumentação.


Assim, a PBL transforma o aluno em sujeito ativo do aprendizado, tornando o conhecimento mais significativo, funcional e duradouro, ao mesmo tempo em que aproxima o ensino das demandas reais da vida e da prática social.


Como avaliar na PBL?

1. Avaliação do processo de aprendizagem

Durante o desenvolvimento do problema, o professor acompanha e registra evidências relacionadas a:

  • Participação nas discussões do grupo;

  • Capacidade de compreender o problema apresentado;

  • Leitura e interpretação de textos utilizados na investigação;

  • Formulação de hipóteses e argumentos orais;

  • Uso adequado da linguagem oral (clareza, coerência, pertinência).


Instrumentos possíveis:

  • Roteiro de observação;

  • Diário de bordo do grupo ou individual;

  • Registro de intervenções orais significativas.


2. Avaliação das habilidades de leitura e interpretação

Os problemas propostos na PBL geralmente se baseiam em textos disparadores (notícia, artigo, conto, crônica, propaganda, relato, etc.). A avaliação pode verificar se o aluno consegue:

  • Localizar informações explícitas no texto;

  • Inferir sentidos implícitos (tema, intenção, ponto de vista);

  • Identificar relações de causa e consequência;

  • Reconhecer fatos e opiniões;

  • Analisar o uso de recursos linguísticos e discursivos.


Instrumentos possíveis:

  • Questões interpretativas abertas;

  • Anotações orientadas durante a leitura;

  • Discussão coletiva mediada.


3. Avaliação da produção oral e escrita

A resolução do problema pode culminar em uma produção linguística, que deve ser avaliada de forma criteriosa e contextualizada, considerando:

  • Adequação ao gênero textual proposto;

  • Coerência e coesão do texto;

  • Clareza das ideias e progressão temática;

  • Uso adequado de vocabulário, pontuação e normas da língua;

  • Capacidade de argumentação e justificativa das soluções apresentadas.


Produtos possíveis:

  • Texto argumentativo ou opinativo;

  • Relatório de investigação;

  • Carta, artigo de opinião, notícia ou manifesto;

  • Apresentação oral com apoio escrito.


4. Avaliação colaborativa e metacognitiva

A PBL valoriza a reflexão sobre o próprio aprender. Por isso, a avaliação pode incluir momentos em que o aluno:

  • Analisa sua participação no grupo;

  • Reflete sobre o que aprendeu e como aprendeu;

  • Identifica dificuldades e avanços linguísticos.


Instrumentos possíveis:

  • Autoavaliação escrita;

  • Avaliação entre pares;

  • Questionário reflexivo ao final do projeto.


5. Avaliação final e devolutiva pedagógica

Ao final do processo, o professor realiza a sistematização conceitual, retomando os conteúdos de Língua Portuguesa mobilizados (leitura, interpretação, gêneros textuais, recursos linguísticos, argumentação) e oferece uma devolutiva formativa, destacando:

  • Avanços individuais e coletivos;

  • Pontos a aprimorar;

  • Relação entre teoria e prática.

Situação Didática – Exemplo de Aplicação

Tema do problema

Desinformação e leitura crítica na escola

Problema disparador (situação-problema)

A direção da escola identificou que muitos alunos compartilham informações falsas (fake news) em grupos de WhatsApp e redes sociais, especialmente sobre temas sociais e de interesse juvenil. Isso tem gerado conflitos, interpretações equivocadas e decisões baseadas em informações não confiáveis. A equipe pedagógica solicitou ajuda aos alunos para responder à seguinte questão:
Como a escola pode orientar os estudantes a identificar informações confiáveis e interpretar textos de forma crítica antes de compartilhar conteúdos?

Etapa 1 – Apresentação do problema (sem aula expositiva)

O professor apresenta aos alunos um texto disparador, como:

  • Uma notícia com título sensacionalista;

  • Um post de rede social com dados duvidosos;

  • Um pequeno artigo ou reportagem curta com mistura de fatos e opiniões.


Em grupos colaborativos, os alunos recebem apenas o problema e o texto, sem explicações teóricas prévias.


Orientações iniciais aos grupos

Os alunos devem discutir e registrar:

  • O que o texto informa explicitamente?

  • Que partes geram dúvida ou parecem exageradas?

  • O que já sabemos sobre esse tema?

  • O que precisamos investigar para responder ao problema?


Etapa 2 – Levantamento de hipóteses e lacunas de conhecimento

Cada grupo:

  • Formula hipóteses sobre a veracidade do texto;

  • Identifica lacunas de conhecimento (ex.: o que é fato, o que é opinião, quais fontes são confiáveis);

  • Define estratégias de investigação (leitura de outros textos, comparação de fontes, análise da linguagem utilizada).


O professor atua como mediador, questionando:

  • “Essa informação está comprovada no texto?”

  • “Que pistas linguísticas indicam opinião ou intenção?”

  • “Como o título influencia a leitura?”


Etapa 3 – Investigação e análise linguística

Os alunos analisam:

  • Relações de causa e consequência no texto;

  • Uso de adjetivos, modalizadores e termos avaliativos;

  • Diferença entre fato e opinião;

  • Intenção comunicativa do autor.


Podem ser disponibilizados outros textos para comparação, sem transformar o momento em aula expositiva.


Etapa 4 – Produção da solução (produto final)

Cada grupo elabora uma resposta ao problema, escolhendo um produto linguístico, por exemplo:

  • Texto argumentativo orientando outros alunos sobre como identificar fake news;

  • Carta aberta à comunidade escolar;

  • Manifesto ou guia prático de leitura crítica;

  • Apresentação oral com apoio escrito.


Etapa 5 – Socialização e discussão coletiva

Os grupos apresentam suas soluções.O professor promove o debate, incentivando:

  • Justificativa das ideias;

  • Argumentação oral;

  • Comparação entre as propostas.


Etapa 6 – Sistematização conceitual (momento do professor)

Somente após o percurso investigativo, o professor sistematiza os conteúdos de Língua Portuguesa mobilizados, como:

  • Estratégias de leitura e interpretação;

  • Tema, intenção e ponto de vista;

  • Fato x opinião;

  • Recursos linguísticos e discursivos;

  • Organização e argumentação textual.


Esse momento conecta prática e teoria, consolidando a aprendizagem.


Avaliação na PBL (aplicada à situação didática)

1. Avaliação do processo

  • Participação nas discussões;

  • Compreensão do problema;

  • Formulação de hipóteses;

  • Qualidade das intervenções orais.


Instrumentos: Roteiro de observação, diário de bordo, registros do professor.


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