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[LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA] Etapas de escrita II

Escrever não é apenas uma transmissão de palavras para o papel; é uma arte que envolve várias etapas, cada uma contribuindo para a riqueza e eficácia da comunicação. Neste blog, exploraremos as nuances das etapas da escrita, destacando conceitos como substituições lexicais, recursos verbais (perífrase verbal ou locuções verbais), modalização epistêmica, sujeito ativo e passivo, e modificadores de substantivos.


Substituições Lexicais: Encontrando a Palavra Perfeita

Ao longo do processo de escrita, deparamo-nos com a necessidade de variar o vocabulário para evitar repetições e enriquecer o texto. Substituições lexicais envolvem a troca de uma palavra por outra com significado semelhante.

Exemplo:

  • Original: "O sol brilhava intensamente no céu."

  • Com Substituição: "O sol resplandecia intensamente no céu."


Recursos Verbais: Perífrase Verbal e Locuções Verbais

Na língua portuguesa, a perífrase verbal e as locuções verbais desempenham um papel crucial na expressão da noção de pessoa e tempo. Vamos explorar esses conceitos, compreendendo suas definições, características distintivas e ilustrando com exemplos representativos.


Perífrase Verbal: Um Enlace de Palavras para Expressar Pessoa e Tempo

A perífrase verbal é uma construção linguística que utiliza duas ou mais palavras para expressar uma ideia que poderia ser comunicada por um único verbo. No contexto da pessoa e do tempo, a perífrase é frequentemente utilizada para ampliar a descrição temporal ou para conferir nuances específicas à ação.


Características

  1. Ampliação Temporal: Proporciona uma visão mais detalhada do tempo em que uma ação ocorre.

  2. Expressividade: Permite transmitir a complexidade das relações temporais e pessoais.

  3. Versatilidade: Pode ser adaptada para diferentes contextos e estilos.

Exemplos de Perífrase Verbal na Expressão de Pessoa e Tempo


Original: Ele vai estudar para a prova.

Perífrase: Ele está prestes a começar a estudar para a prova.


Original: Eles caminham pela praia.

Perífrase: Eles costumam caminhar pela praia ao entardecer.


Locuções Verbais Expressivas da Pessoa e do Tempo

Locuções verbais são expressões formadas por um verbo auxiliar e um verbo principal. Na expressão da pessoa e do tempo, essas locuções desempenham um papel vital na conjugação verbal, indicando nuances temporais e modos de ação específicos.

  • Indicação Temporal: Locuções verbais frequentemente expressam diferentes tempos verbais.

  • Modulação da Ação: Podem indicar atitudes, probabilidades, desejos, entre outros.

Exemplos de Locuções Verbais na Expressão de Pessoa e Tempo

"Está estudando": Expressa uma ação em andamento no presente. Exemplo: Ele está estudando para a prova.


"Deveria ter": Indica uma ação que deveria ter ocorrido no passado. Exemplo: Ele deveria ter chegado mais cedo.


"Haverá de": Indica uma ação futura com certeza. Exemplo: Ele haverá de encontrar uma solução.


Ao incorporar perífrases verbais e locuções verbais em nossa escrita, enriquecemos a nossa capacidade de expressar nuances temporais e pessoais. Esses recursos linguísticos não apenas oferecem clareza temporal, mas também permitem que adicionemos complexidade e profundidade às nossas descrições. Ao dominar essas construções, damos vida à nossa comunicação, criando uma verdadeira sinfonia de tempo e pessoa na língua portuguesa.


Modalização Epistêmica: Três Tons na Construção do Conhecimento

Modalização epistêmica é um recurso linguístico que expressa a atitude do falante em relação ao conteúdo da sua afirmação. Ela indica o grau de certeza ou incerteza do falante sobre o que está dizendo.

As três categorias de modalização epistêmica são:

  • Asseverativa: indica certeza ou forte probabilidade.

  • Quase-asseverativa: indica menor certeza ou probabilidade.

  • Delimitadora: indica incerteza ou dúvida.

Asseverativa

A modalização asseverativa é utilizada para expressar certeza ou forte probabilidade. Ela é comumente expressa por meio de verbos no indicativo, de advérbios de certeza, como "certamente", "com certeza", "sem dúvida", etc., ou de expressões como "é certo que", "é provável que", etc.

Exemplos:

  • O sol nascerá amanhã. (certeza)

  • Com certeza, ele vai passar no vestibular. (certeza)

  • É certo que o Brasil será campeão do mundo. (certeza)

Quase-asseverativa

A modalização quase-asseverativa é utilizada para expressar menor certeza ou probabilidade. Ela é comumente expressa por meio de verbos no subjuntivo, de advérbios de probabilidade, como "talvez", "possivelmente", "provavelmente", etc., ou de expressões como "pode ser que", "é possível que", etc.

Exemplos:

  • Talvez chova amanhã. (menor certeza)

  • Possivelmente, ele vai passar no vestibular. (menor certeza)

  • É possível que o Brasil seja campeão do mundo. (menor certeza)

Delimitadora

A modalização epistêmica delimitadora é utilizada quando o falante expressa a ideia de que há limites claros para a certeza ou a probabilidade associada à proposição.

  • Limites Explicitados: O falante indica explicitamente que não possui informações conclusivas ou que a situação está circunscrita por certos limites.

  • Uso de Expressões Limitadoras: Expressões como "até onde sei", "dentro dos limites do meu conhecimento" são empregadas.

A modalização epistêmica pode variar de acordo com o contexto. Por exemplo, uma afirmação que é asseverativa em um contexto pode ser quase-asseverativa ou delimitadora em outro contexto.


Observações

  • A modalização epistêmica pode ser expressa por meio de recursos linguísticos diferentes, como verbos, advérbios, expressões, etc.

  • A modalização epistêmica é importante para a comunicação, pois permite que os falantes expressem com precisão sua atitude em relação ao conteúdo de suas afirmações.

Sujeito Ativo e Passivo: Moldando a Perspectiva da Ação

Em uma oração, o sujeito é a pessoa ou coisa que realiza a ação expressa pelo verbo. O sujeito ativo é aquele que pratica a ação. O sujeito passivo é aquele que sofre a ação.

Exemplos:

  • O aluno escreveu a redação. (sujeito ativo)

  • A redação foi escrita pelo aluno. (sujeito passivo)

Em uma oração na voz ativa, o sujeito vem antes do verbo. Na voz passiva, o sujeito vem depois do verbo, precedido pelo verbo ser conjugado no tempo e modo adequados ao verbo da voz ativa.

A voz passiva pode ser formada por diferentes construções sintáticas. A mais comum é a construção com ser conjugado no tempo e modo adequados ao verbo da voz ativa, seguido do particípio passado do verbo da voz ativa.

Exemplos:

  • O livro foi escrito pelo autor.

  • A casa foi construída em 1950.

  • O crime foi cometido pelo ladrão.

Outras construções sintáticas que podem ser usadas para formar a voz passiva são:

O verbo ser conjugado no tempo e modo adequados ao verbo da voz ativa, seguido do pronome por, seguido do sujeito da voz ativa.

Exemplos:

  • O livro foi escrito por ele.

  • A casa foi construída por eles.

  • O crime foi cometido por ele.

O verbo ser conjugado no tempo e modo adequados ao verbo da voz ativa, seguido do pronome pelo, seguido do complemento agente da passiva.

Exemplos:

  • O livro foi escrito pelo autor.

  • A casa foi construída pelos pedreiros.

  • O crime foi cometido pelo ladrão.

O uso da voz passiva pode variar de acordo com o contexto. Em alguns casos, a voz passiva é usada para enfatizar o objeto da ação. Em outros casos, a voz passiva é usada para evitar a repetição do sujeito.

Exemplos:

  • A casa foi construída em 1950. (voz passiva, enfatizando o objeto da ação)

  • O livro foi escrito por ele. (voz passiva, evitando a repetição do sujeito)

Modificadores de Substantivos: Enriquecendo a Descrição

Modificadores de substantivos, como adjetivos e locuções adjetivas, acrescentam detalhes e nuances à descrição dos substantivos, enriquecendo a imagem mental do leitor.

Exemplo:

  • "Um dia ensolarado" (Locução Adjetiva)

  • "O céu azul" (Adjetivo)


Ao abordarmos estas diversas etapas da escrita, compreendemos que a arte de escrever é uma dança harmoniosa entre escolhas cuidadosas e a expressão autêntica. Cada substituição lexical, cada recurso verbal, cada modalização epistêmica, sujeito ativo ou passivo, e modificação de substantivos contribuem para a construção de um texto vívido e envolvente. Ao dominar esses elementos, os escritores capacitam-se a criar não apenas frases, mas obras literárias que transcendem as páginas e se instalam na imaginação do leitor.

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