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Colocação Pronominal


A colocação pronominal indica a posição dos pronomes átonos - me, nos, te, vos, se, o(s), a(s), lhe(s) - em relação ao verbo, do que resulta a próclise, a mesóclise e a ênclise.

Antes de entender como cada um dos casos deve ser usado, a primeira regra é: a colocação pronominal é feita com base em prioridades. O caso que tem mais prioridade é a próclise, e se nenhuma das situações satisfizer o seu uso, é utilizada a ênclise. Lembrando que a mesóclise somente é utilizada com verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito

Em próclise: pronome colocado antes do verbo;
Em ênclise: pronome colocado depois do verbo;
Em mesóclise: pronome colocado no meio do verbo.

Próclise


Na próclise, o pronome é colocado antes do verbo. Isso acontece quando a oração contém palavras que atraem o pronome:

A) Palavras que expressam negação tais como “não, ninguém, nunca”:

Não o quero aqui.
Nunca o vi assim.

 

B) Pronomes relativos (que, quem, quando...), indefinidos (alguém, ninguém, tudo…) e demonstrativos (este, esse, isto…):

Foi ela que o fez.
Alguns lhes deram maus conselhos.
Isso me lembra algo.


C) Advérbios ou locuções adverbiais:

Ontem me disseram que havia greve hoje.
Às vezes nos deixa falando sozinhos.


D) Palavras que expressam desejo e também orações exclamativas:

Oxalá me dês a boa notícia.
Deus nos dê forças.


E) Conjunções subordinativas:

Embora se sentisse melhor, saiu.
Conforme lhe disse, hoje vou sair mais cedo.


F) Palavras interrogativas no início das orações:

Quando te deram a notícia?
Quem te presenteou?

Mesóclise


Na mesóclise, o pronome é colocado no meio do verbo. Isso acontece com verbos do futuro do presente ou do futuro do pretérito, a não ser que haja palavras que atraiam a próclise:

Orgulhar-me-ei dos meus alunos. (verbo orgulhar no futuro do presente: orgulharei)
Orgulhar-me-ia dos meus alunos. (verbo orgulhar no futuro do pretérito: orgulharia)

Ênclise


Na ênclise, o pronome é colocado depois do verbo. Isso acontece quando a oração contém palavras que atraem esse tipo de colocação pronominal:

A) Verbos no imperativo afirmativo:

Depois de terminar, chamem-nos.
Para começar, joguem-lhes a bola!


B) Verbos no infinitivo impessoal:

Gostaria de pentear-te a minha maneira.
O seu maior sonho é casar-se.


C) Verbos no início das orações:

Fiz-lhe a pessoa mais feliz do mundo.
Surpreendi-me com o café da manhã.

Próclise ou ênclise?


A colocação pronominal depois do verbo é a forma básica de colocação pronominal, seguindo a estrutura sintática básica de uma oração: verbo + complemento. Contudo, o uso da próclise encontra-se generalizado na linguagem falada e escrita.

É facultativo o uso da próclise ou da ênclise, caso o verbo não se encontre no início da frase, nem haja situações que justifiquem o uso específico de uma forma de colocação pronominal.

Exemplo de uso facultativo da próclise ou da ênclise


Minha mãe ajudou-me nos trabalhos.
Minha mãe me ajudou nos trabalhos.


A próclise nunca deverá ser utilizada quando o verbo se encontrar no início das frases. Nesta situação, a forma correta de colocação pronominal é depois do verbo.

Exemplos de ênclise com verbos no início da frase


Ouviram-me chamar?
Deram-lhe os parabéns!

Colocação pronominal nas locuções verbais

Vejamos como ocorre a colocação do pronome nas locuções verbais. Lembrando que as regras citadas para os verbos na forma simples devem ser seguidas.

A) Usa-se a ênclise depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal nas locuções verbais em que o verbo principal esteja no infinitivo ou no gerúndio:

Devo-lhe explicar o que se passou. (ênclise depois do verbo auxiliar, “devo”)
Devo explicar-te o que se passou. (ênclise depois do verbo principal, “explicar”)


B) Caso não haja palavra que atraia a próclise, usa-se a ênclise depois do verbo auxiliar em que o verbo principal esteja no particípio:

Foi-lhe explicado como deveria agir. (ênclise depois do verbo auxiliar, “foi”, uma vez que o verbo principal “explicar” está no particípio, “explicado”)
Tinha-lhe feito as vontades se não tivesse sido mal criado. (ênclise depois do verbo auxiliar, “tinha”, uma vez que o verbo principal “fazer” está no particípio, “feito”)